Eu respeito os acasos.
Negar um encontro é negar a possibilidade de transformação.
Um acontecimento.
O espaço está vazio. Eles tinham dançado em cima da mesa.
A
música ainda é ouvida, mesmo sem ser tocada. As coisas que realmente importam
não são tocadas.
A presença dela ainda está no corredor. Eles estão no
corredor, é possível ouvir. O mar verde. Os olhos. Fixados. Um brisa quente. Um
vestido. O espaço é rasgado. Uma fenda. O tempo é outro. É aqui. O piano ainda
está lá. As paredes estão aqui. Um beijo. 13 anos. Ele disse não. Ela disse
tudo bem e deu o beijo. Tava escuro. Não. Ele tinha 10. Não. Tinha 12 anos. Não
estava tão escuro. Ele disse não querendo dizer sim. A mão dela tava fria. O
maxilar duro. A areia fofa. Ele nunca tinha dançado em cima da mesa. Isso é uma
transformação. Ele respeita isso. É preciso respeitar os encontros. Os corpos.
A superfície da pele. Ele se sentia livre. Seja lá o que livre for. Os corpos
se tocavam mas não era possível tocar o que acontecia entre os corpos. A
música...No espaço. Eles caminham pelo Arpoador. Não. Eles estão em um
banheiro. Um quarto. Um quarto de hotel em Cuba. Eles estão aqui embaixo. No
Braseiro. Estão almoçando. Eles poderiam estar aqui. O piano ainda está lá. As
paredes estão ali. Que horas são?
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