sábado, 30 de abril de 2016

Encontros

                                                                                                 Eu respeito os acasos.   
Negar um encontro é negar a possibilidade de transformação.
                               Um acontecimento.
O espaço está vazio.                              Eles tinham dançado em cima da mesa. 
A música ainda é ouvida, mesmo sem ser tocada.       As coisas que realmente importam não são tocadas.

A presença dela ainda está no corredor. Eles estão no corredor, é possível ouvir. O mar verde. Os olhos. Fixados. Um brisa quente. Um vestido. O espaço é rasgado. Uma fenda. O tempo é outro. É aqui. O piano ainda está lá. As paredes estão aqui. Um beijo. 13 anos. Ele disse não. Ela disse tudo bem e deu o beijo. Tava escuro. Não. Ele tinha 10. Não. Tinha 12 anos. Não estava tão escuro. Ele disse não querendo dizer sim. A mão dela tava fria. O maxilar duro. A areia fofa. Ele nunca tinha dançado em cima da mesa. Isso é uma transformação. Ele respeita isso. É preciso respeitar os encontros. Os corpos. A superfície da pele. Ele se sentia livre. Seja lá o que livre for. Os corpos se tocavam mas não era possível tocar o que acontecia entre os corpos. A música...No espaço. Eles caminham pelo Arpoador. Não. Eles estão em um banheiro. Um quarto. Um quarto de hotel em Cuba. Eles estão aqui embaixo. No Braseiro. Estão almoçando. Eles poderiam estar aqui. O piano ainda está lá. As paredes estão ali. Que horas são?

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