Na Odisseia, ao receber a visita de Telêmaco, Menelau narra seu encontro com Proteu, divindade marinha que poderia revelar-lhe que deus o mantinha preso numa ilha e evitava o seu regresso à terra natal após o final da guerra de Tróia. Disfarçando-se com peles de focas mortas, prepara uma emboscada próximo ao oceano a fim de capturá-lo entre os braços violentamente por saber se tratar de uma criatura indócil e arredia. Ao vê-lo sair dos mares, agarra-o com a ajuda de seus companheiros. Eis então que o deus oceânico assume diversas formas que se transmudam incessantemente. Numa velocidade inacreditável assume a aparência de seres serpenteantes, depois transforma-se em leão com farta crineira, então transfigura-se num dragão, numa pantera, num javali, vira água corrente e aparece também como uma frondosa árvore. Após a série de metamorfoses, assume sua velha figura para então revelar por que sendas marítimas deveriam seguir para que se retornasse ao lar. Em nossas reuniões diárias, nos encontramos, nesse início de pesquisa, a nos degladear em situação semelhante a de Menelau e seus consortes. Tentamos aprisionar esta entidade cambiante, sem estrutura clara, de ordenação indefinida que se desloca substancialmente apesar da nossa força e tentativa de retê-la. Sua dimensão pode ser qualquer uma, forte, suave, espessa ou escassa, sua aparência é ardilosa e traiçoeira, escapa por entre os dedos ou nos ataca ferozmente. Pretendemos seguir sem saber o rosto de Proteu. Continuamos tentando retornar ao lar, sem informações dos numes divinos. Olhamos para o mar e somos atravessados por imagens que não param, não se cansam.
(Pedro)
(Pedro)

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