segunda-feira, 27 de junho de 2016

Ruy Silva



O decreto municipal nº 6.881/1987, no entanto, proíbe estabelecimentos de grande porte naquele trecho da via. Mesmo assim, a diretoria do Mundial informa, por meio de assessoria, que ainda não desistiu de erguer ali uma filial e que chegou a conseguir autorização para reformar o prédio, mas ela acabou revogada pela Secretaria municipal de Urbanismo. Sendo assim, a empresa agora estuda também se vende ou troca o terreno, pelo qual já recebeu de construtoras ofertas de até R$ 80 milhões.
O prédio-fantasma tem vidros estilhaçados e até uma árvore saindo pelo teto. Os tapumes estão tomados por cartazes irregulares. Procurada, a Secretaria Especial da Ordem Pública afirma que notificará e autuará as empresas responsáveis por eles.
Apesar do aparente abandono, o terreno é mantido limpo por funcionários do Mundial. A Coordenação de Vigilância Ambiental da Secretaria municipal de Saúde e Defesa Civil informa que vistoria o local constantemente e que, em julho, foram eliminados possíveis focos de dengue. Mesmo assim, as décadas de indefinição incomodam moradores dos arredores, como Ruy Silva.

sábado, 25 de junho de 2016

improvisação de sexta

Improvisação Marcéu e Jana

Eu no bar, ela no palco. A feira acabou. Eu odeio feira. Fica uma sujeira. Eles vão embora e a sujeira fica. Deveria ser proibido. Entra um cheiro ruim pela janela. Ela diz que agora a casa é dela. Eu sou o antigo proprietário. Falo dos buracos no teto. Já arrumei 4 vezes. A árvore levanta a telha, a água escorre e infiltra. Ela anda pelo palco e pelo camarim, vou narrando do bar onde estão os problemas. A Hera que entra pela janela do camarim. Tinha hera em toda a casa. Mandei tirar tudo.
Jana invade o bar. Ju toca piano. Eu para a Ju - Eu gosto quando você toca pra mim.
Jana pergunta se eu bebo. Digo que não muito. Mas as pessoas gostam. Abraço a Ju no piano. Brindo com ela. E volto a me relacionar com a Jana. Chamo a Julia para dançar. Pergunto para Jana se ela sabe dançar. Ela diz polca. pergunta se sei dançar , digo que não. Aposta. Ela dança polca se eu gritar na janela Eu me amo. Eu grito se você tirar essa peruca e dançar aqui na minha frente.

Possível régua para engrenagem de ficção

1930 -  começa o loteamento de propriedades rurais localizadas no Jardim da Gávea. O bairro passa a ser ocupado
1932 - A constroi a casa na decada de 30, onde mora por 9 anos e depois a abandona. Nesse período, planta uma hera no muro que cresce tão rápido que mesmo podando, da noite para o dia ela invade a casa quebrando as janelas. Ele era importador.
1952 - O minhocão é construído.
1968 - B, fugindo de um oficial durante a ditadura e se esconde no meio de um mato, que a engole . Assim encontra a casa por onde se abrigaria por 4 anos, até ser encontrada por um militar
1971 - É inaugurado com 1.522 metros de extensão, o túnel Zuzu Angel (antigo túnel Dois irmãos) e a especulação imobiliária começa a subir.
1972 - B é capturada
1972 - O pai de C, militar torturador, se muda para a casa com a esposa. Por anos tenta dar um jeito nas infiltrações da casa, mas a umidade que a hera produz nas paredes é inesgotável e irremediável. A essa altura ele já percebeu que a hera já entrou por entre todas as estruturas da casa e tirá-la de lá seria demolir tudo.
1973 - C nasce e durante a infância se torna obcecado pela própria imagem no espelho, que por algum desvio, é compreendida por ele como uma mulher mais velha e serena, D
1982 - Abrem um buraco no minhocão para chegar mais rapidamente ao túnel Zuzu Angel
1985 - Acaba a ditadura e a família de C deixa a casa.
1985 a 2016 -  D sai do espelho e vagueia à deriva pelos assoalhos, atravessando paredes, precipitando-se do teto, e evaporando no chão.

2016 - E, ex rica falida, parente distantíssima de A descobre que é única herdeira do imóvel abandonado na Gávea e sem nenhuma outra opção se muda para a casa que a essa altura já é um aquário.